INSTITUTO TECNOLÓGICO DE AERONÁUTICA (ITA)

É tempo, talvez, de se instalar uma escola de verdade em um campo adequado... Margeando a linha da Central do Brasil, especialmente nas imediações de Mogi das Cruzes, avistam-se campos que me parecem bons... Os alunos precisam dormir junto à escola, ainda que para isso seja necessário fazer instalações adequadas... Penso que, sob todos os pontos de vista, é preferível trazer professores da Europa ou dos Estados Unidos, em vez de para lá enviar alunos... Meu mais intenso desejo é ver verdadeiras escolas de aviação no Brasil.

Palavras escritas por Santos-Dumont em 1918

A “PROFECIA” DE SANTOS DUMONT E A FUNDAÇÃO DO ITA

Em meados de 1945, norteado pela incrível visão estratégica de Santos Dumont e inspirado por forte idealismo e espírito empreendedor, um grupo de militares, liderado pelo então coronel-engenheiro Casimiro Montenegro Filho, planejava, no campo de pouso de Aeroclube de São José dos Campos, como seria a escola de verdade: “Aqui construiremos o túnel aerodinâmico... Ali, o alojamento dos alunos. À esquerda, os edifícios escolares...”

Para esta missão, contava com o apoio do professor norte-americano Richard Herbert Smith, licenciado do renomado MIT - Massachusetts Institute of Technology, que veio para o Brasil com o intuito de auxiliar a organização de uma Escola de Engenharia Aeronáutica.

Do corpo docente pioneiro faziam parte professores norte-americanos ou radicados nos Estados Unidos e trazidos ao Brasil pelas mãos do professor Smith (a maior parte do MIT). Também chegavam ao ITA em 1950 professores da Alemanha e de outras nacionalidades, como o chinês Kwei Lien Feng. Para trabalhar com os professores estrangeiros dos anos iniciais e, em tempo, substituí-los, passou o Ministério da Aeronáutica a contratar professores brasileiros.

Já em 1950 a primeira turma de engenheiros aeronáuticos se formava no Rio de Janeiro, com o apoio da Escola Técnica do Exército (hoje, Instituto Militar de Engenharia - IME), uma vez a construção do ITA e do CTA não estava pronta. E assim, no mesmo ano em que a primeira turma de Engenheiros do ITA diplomava-se (no IME!), a segunda tinha início em São José dos Campos.

Em poucos anos o ITA já ganhava projeção, através de feitos como o desenvolvimento do motor a álcool, a implantação do primeiro curso de Engenharia Eletrônica no Brasil, implantação do primeiro curso formal de pós-graduação stricto sensu, entre outros.

DA FUNDAÇÃO DO ITA AO SURGIMENTO DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA BRASILEIRA

Em 1955, foi criado o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do CTA. Um grupo desse instituto projetou o avião Bandeirante, um bimotor, turboélice, capaz de transportar cerca de 20 passageiros e operar na maioria das cidades brasileiras da época. Esse grupo era constituído essencialmente por engenheiros formados pelo ITA.

A partir daí, o grupo teve dificuldades para convencer o Governo a concretizar o projeto do avião, que teria como finalidade o atendimento de pequenas demandas do tráfego aéreo brasileiro de então. A principal delas foi o ceticismo generalizado quanto à viabilidade de se desenvolver um avião no país contando apenas com uma equipe de engenheiros brasileiros.

A superação dessa dificuldade foi possível graças ao convite feito a um renomado projetista francês. A credibilidade do projetista no meio aeronáutico tornou possível a construção da aeronave. Entretanto, a alta cúpula da Força Aérea Brasileira foi convencida de que o técnico francês deveria coordenar somente a modernização de aparelhos, e não coordenar tecnicamente o projeto de um novo avião.

Após a tentativa de envolver a iniciativa privada na fabricação de aviões, o Governo decidiu criar uma sociedade de economia mista de controle estatal, tendo sido constituída a Empresa Brasileira de Aeronáutica – EMBRAER, cujos principais dirigentes também se formaram no ITA.

Originalmente concebida para produzir um total de 150 aparelhos Bandeirante a uma cadência de dois aviões por mês, a EMBRAER rapidamente superou esses propósitos e até mesmo a exportação da aeronave tornou-se realidade.

Ao mesmo tempo, a Embraer recebia uma encomenda da Força Aérea, para a fabricação sob licença de 112 jatos de treinamento avançado, apoio tático e ataque ao solo, de projeto italiano. A produção da aeronave de nome Xavante teve inicio em 1971, marcando o início da produção de aeronaves a jato no país.

Ao longo dos anos, a Embraer contou com um poderoso mecanismo de capitalização que contribuiu para conferir à empresa a capacidade de investimento necessária a seu crescimento, e várias outras aeronaves foram concretizadas, tais como o Ipanema (projetado no ITA nos anos 60), o Tucano (projetado, desenvolvido e construído em apenas dois anos na década de 80), o Brasília (cuja produção capacitou a Embraer industrial e comercialmente para o desenvolvimento de aeronaves de grande porte e complexidade), o AMX (um jato de combate e ataque ao solo desenvolvido em parceria com empresas italianas), e aviões mais leves, a partir de 1973, quando a empresa decidiu lançar-se num programa de substituição de importações desse tipo de aeronave.

É verdade, portanto, que as exportações da Embraer evoluíram muito rapidamente. Mas o que explica o êxito da Embraer? Entre os muitos fatores que respondem a essa indagação, o primeiro deles é, incontestavelmente, a disponibilidade de recursos humanos. Havia no país uma massa crítica de engenheiros aeronáuticos e de outros especialistas formados pelo ITA desde meados dos anos 50. Altamente qualificados devido à excelência do ITA como instituição de ensino superior, esses especialistas puderam ser mobilizados pela Embraer desde o primeiro momento da vida da empresa e foram capazes de projetar equipamentos de alta confiabilidade que conquistaram o mercado internacional.

Trinta anos depois, a Embraer apresenta vendas em carteira da ordem de dez bilhões dólares, transformando-se na quarta indústria aeronáutica do mundo. Contando com mais de sete mil funcionários, a empresa representa hoje um grande patrimônio tecnológico do país, tendo produzido milhares de aviões que voam todos os continentes e que transportam milhões de passageiros a cada ano.

EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO DO BRASIL NO MUNDO DA AVIAÇÃO

A EMBRAER é apenas um exemplo que mostra porque os profissionais que possuem no currículo o diploma do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) são identificados no mercado como high profiles, termo em inglês que significa talento diferenciado, perfil acima da média.

Em seus 60 anos de existência, o ITA já formou mais de cinco mil engenheiros, dos quais cerca de 1.000 engenheiros aeronáuticos. Esses recursos humanos fizeram-se presentes no desenvolvimento de diversas tecnologias e empresas no Brasil.

Dentre as iniciativas com criação derivada das atividades do ITA e do CTA, ou de seus ex-alunos estão, além da EMBRAER, a EMBRATEL, a Avibrás, Tecnasa, Tectran, e Mectron, para citar algumas empresas de tecnologia; e entre as universidades e programas de engenharia que foram montados com ajuda de ex-alunos do ITA estão os cursos de Engenharia Elétrica da UNICAMP, da UFPB-Campina Grande e os programas de pós graduação da Coppe/UFRJ.

Dentre as contribuições técnicas, podemos citar, além do motor a álcool e do avião Bandeirante, o desenvolvimento da urna eletrônica, do radar meteorológico, o primeiro simulador de vôo desenvolvido na América Latina, primeiro laser CO2, o primeiro laser excimer, o Veículo Lançador de Satélites (VLS), entre outros.

A sólida formação, a elevada capacidade análise e de lidar com pressão, são características que permitem aos iteanos, como são chamados os alunos e ex-alunos do ITA, atingirem também posições no alto escalão – muitas vezes diretoria ou presidência – de grandes empresas, como: IBM, NEC, Ericsson, Rhodia, Motorola, HP, Cia Vale do Rio Doce ou mesmo posições de destaque na área acadêmica, como reitores de universidades ou cargos de liderança em instituições como FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa de SP) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

É esta sólida formação também a responsável pelos impressionantes resultados em processos avaliativos do MEC, como o provão, no qual o ITA é a única instituição com 100% de notas A em todos os cursos, e o ENADE em que ITA e IME se revezam nos primeiros lugares do Brasil nos cursos que oferecem.


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